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Rodrigo Soupe e a Exper: a comunidade que cresceu sem área VIP

Como um publicitário de Belém transformou um podcast em comunidade presente em 7 capitais apostando numa regra simples: todos com os mesmos direitos.
Rodrigo Soupe e a Exper: a comunidade que cresceu sem área VIP

Quase todo evento de negócios funciona do mesmo jeito: quem paga mais senta mais perto. Há o camarote, o plano premium, a mesa da frente. Rodrigo Soupe, publicitário de Belém, decidiu tirar tudo isso do jogo. A aposta parecia arriscada, porque o senso comum diz que grandes empresários só aparecem onde são tratados como grandes. Aconteceu o contrário: foi justamente a ausência de área VIP que fez esses empresários quererem entrar.

Um podcast sobre a própria cidade

A história começa em 2021, com um podcast semanal de notícias sobre os negócios de Belém: o Belém Negócios. A proposta era simples e local, com olhar voltado para o que acontecia no mercado da cidade.

O podcast cresceu e virou portal. Era um passo natural para quem já tinha conquistado uma audiência interessada no tema. Só que havia um problema que muita gente que produz conteúdo conhece bem: audiência não paga a conta sozinha. Ter gente acompanhando não garante um negócio sustentável.

A aposta na comunidade

Em agosto de 2022, Rodrigo apostou num formato diferente: uma comunidade só por convite. A exclusividade estava na entrada, não dentro dela. Uma vez lá, valia uma regra que contrariava a lógica do mercado de eventos: todo mundo com os mesmos direitos.

Sem camarote, sem plano premium, sem mesa da frente. Não havia como comprar uma posição melhor do que a do vizinho.

A reação foi de desconfiança. Diziam que não ia dar certo juntar grandes e pequenos no mesmo espaço, sem distinção. A ideia de que um empresário estabelecido aceitaria estar em pé de igualdade com quem estava começando soava ingênua para muitos.

De Belém para sete capitais

O projeto seguiu crescendo. No começo de 2025, nasceu a Escola Belém Negócios. Em janeiro de 2026, a marca passou a se chamar Exper.

Hoje a Exper está em 7 capitais. Segundo a empresa, são mais de 400 empresas na comunidade e um alcance de mais de 2 milhões de pessoas por mês. Um caminho que começou num podcast sobre os negócios de uma cidade e chegou a outras capitais sem abandonar a regra do início.

Por que a regra funcionou

Na leitura do Dossiê, a resposta está justamente na regra original. Cada lado encontra ali algo que não acha em outros ambientes.

O grande entra para conhecer quem está subindo. Em espaços divididos por camarotes, ele costuma conversar apenas com quem já está no mesmo patamar. Na Exper, tem acesso a quem ainda está construindo o próprio caminho.

O pequeno entra porque sabe que vai ser ouvido. Não precisa pagar mais para ter acesso a quem admira, nem fica relegado ao fundo da sala.

Como ninguém compra atenção, a conversa vale mais. Quando a proximidade não está à venda, quem está perto de você está ali porque quer, e não porque pagou.

A lição

O case de Rodrigo Soupe traz uma provocação direta para quem empreende ou lidera: nem todo valor vem de criar camadas de acesso. Muitos negócios crescem vendendo diferenciação interna, com planos e níveis cada vez mais caros. Funciona em vários contextos, mas tem um custo. Quando a atenção é comprada, ela perde parte do valor.

Algumas ideias práticas saem dessa história:

  • Audiência é ponto de partida, não modelo de negócio. O podcast e o portal construíram a base, mas o negócio ganhou outro fôlego quando virou comunidade.
  • Seleção na porta pode substituir hierarquia lá dentro. O convite garante critério de entrada; a igualdade de direitos garante a qualidade da convivência.
  • Uma regra clara vira identidade. "Todo mundo com os mesmos direitos" atravessou mudanças de formato e de nome sem se perder.
  • Desconfiança do mercado não é prova de erro. A crítica de que não daria certo juntar grandes e pequenos apontava exatamente para o diferencial do projeto.

O ponto central: comunidade cresce quando ninguém compra lugar na frente. Para quem constrói redes, eventos ou equipes, vale perguntar se as divisões criadas estão gerando valor ou apenas cobrando por ele.

No seu negócio, o que mudaria se ninguém pudesse comprar um lugar na frente?


Análise: Jonathan Sarraf. Um case por dia no @dossie.cases.

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