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Resolve Energia Solar: do quarto da mãe aos R$ 150 milhões

Cinco meses sem contrato, vendas de porta em porta na pandemia e uma regra: primeiro a venda, depois a estrutura.
Resolve Energia Solar: do quarto da mãe aos R$ 150 milhões

Cinco meses sem um único contrato. Quatro anos depois, a mesma empresa falava em 150 milhões de reais. Entre um ponto e outro, a Resolve Energia Solar não cresceu porque montou uma grande operação logo de saída. Cresceu justamente pelo que seus fundadores se recusaram a fazer primeiro.

Um começo no pior momento possível

Belém, fevereiro de 2020. Benedito e Jéssica Viegas fundam a Resolve Energia Solar. Semanas depois, a pandemia fecharia o país.

Não havia loja nem equipe. O escritório era o quarto da casa da mãe de Benedito. Era a empresa reduzida ao essencial: duas pessoas, uma ideia e a disposição de sair para vender.

E Benedito saiu. Vendia de porta em porta, com as ruas vazias. Num momento em que quase todo mundo se recolhia, ele insistia no contato direto com o cliente.

Março, abril, maio, junho

O resultado dos primeiros meses foi o silêncio. Março passou sem contrato. Abril também. Depois maio. Depois junho.

Cinco meses desde a fundação sem fechar uma única venda. É o tipo de período que testa qualquer empreendedor, ainda mais com a incerteza de uma crise que ninguém sabia quanto tempo duraria.

O detalhe que importa é o que não aconteceu nesse intervalo: a Resolve não contratou equipe, não alugou ponto, não montou estrutura para uma demanda que ainda não existia. Os custos ficaram do tamanho da realidade.

A virada veio em contratos, não em promessas

O primeiro contrato só saiu em julho de 2020. A partir dali, a curva começou a mudar. No fim daquele ano, eram 16 contratos. Em 2021, foram 96.

Números modestos no começo, mas reais. Cada um representava um cliente que tinha dito sim, e era sobre essa base concreta que a empresa passaria a crescer.

A estrutura sempre chegou depois

Só em fevereiro de 2021, um ano após a fundação, entrou o primeiro funcionário, com uma mesa num coworking. O ponto comercial veio apenas em maio de 2021.

A ordem é o centro desta história. Funcionário, mesa e ponto comercial vieram depois das vendas. Cada estrutura foi uma resposta a uma demanda já existente, não uma aposta para atrair uma demanda futura.

Segundo a empresa, foram 150 milhões de reais em 2024. Hoje são mais de 26 franquias, com expansão para o Nordeste em 2025. O que começou num quarto em Belém virou uma rede que sai do Pará.

A lição

Primeiro a venda, depois a estrutura.

Parece óbvio, mas muitos negócios fazem o caminho inverso. Abrem o ponto, contratam o time, investem na aparência de empresa estabelecida e só então descobrem se o cliente quer comprar. Quando a venda demora, a estrutura vira um peso que consome o caixa e o fôlego.

A Resolve mostra o outro caminho. Alguns princípios práticos saem do case:

  • Valide com venda, não com estrutura. O sinal de que um negócio funciona é o cliente pagando, não o escritório montado.
  • Mantenha o custo do tamanho da realidade. Nos cinco meses sem contrato, a empresa sobreviveu porque não tinha despesas que exigissem faturamento imediato.
  • Deixe a demanda puxar o crescimento. Cada contratação e cada novo espaço vieram quando as vendas justificavam.
  • O fundador vende. No início, foi Benedito na porta dos clientes. Ninguém conhece melhor o produto e as objeções do mercado do que quem está vendendo.

Para quem lidera, a pergunta antes de qualquer investimento em estrutura deveria ser simples: isso responde a uma venda que já existe ou a uma venda que eu espero que aconteça?

No seu negócio, o que você está construindo antes de ter a venda que justifique?


Análise: Jonathan Sarraf. Um case por dia no @dossie.cases.

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