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Alexandre Modesto e a mesa de 60 empresários que substituiu o palco

Depois do RD Summit, Alexandre Modesto não copiou o palco: encolheu o formato e reuniu 60 empresários paraenses numa só mesa.
Alexandre Modesto e a mesa de 60 empresários que substituiu o palco

Em 27 de janeiro de 2026, 60 empresários paraenses sentaram à mesma mesa. Não havia palestrante, holofote nem plateia olhando para cima. Ninguém subiu num palco. Para quem está acostumado a medir eventos pelo tamanho do auditório, a escolha parece um passo para trás. Mas a decisão de não ter palco explica tudo o que veio antes e diz muito sobre como se constroem negócios num mercado local.

Audiência não fecha negócio

Alexandre Modesto está à frente do Portal Pará Negócios. Segundo o próprio portal, são 14 mil leitores e 500 empresas conectadas. É uma base respeitável para um veículo regional, o tipo de número que muita gente usaria como ponto final da conversa.

Só que audiência, sozinha, não fecha negócio. O leitor lê a notícia e vai embora. Ele se informa, talvez compartilhe, e volta para a rotina. O empresário precisa de outra coisa: conhecer outro empresário. Precisa de alguém com quem fazer parceria, para quem vender, de quem comprar, com quem trocar experiência. Um portal pode reunir milhares de pessoas em torno do mesmo conteúdo sem que elas jamais se encontrem.

Esse é o limite de qualquer negócio baseado só em alcance. Ele gera atenção, mas a atenção não se transforma automaticamente em relação.

A viagem que mostrou o formato de sempre

Em novembro de 2025, Alexandre levou uma missão de paraenses ao RD Summit, um dos maiores eventos de marketing e vendas do país. Levar um grupo para um evento desse porte já é, por si só, uma forma de conectar pessoas: elas viajam juntas, convivem, observam o mesmo mercado.

Lá, o formato era o de sempre: palco, plateia, crachá. É o modelo consagrado dos grandes eventos, em que poucas pessoas falam e muitas escutam. Funciona para inspirar, apresentar tendências e reunir multidões. Mas, nesse desenho, a conversa entre quem está na plateia costuma ficar para os intervalos e os corredores.

Encolher em vez de copiar

Na volta, o caminho mais óbvio seria tentar reproduzir o que se viu: montar um palco no Pará, chamar nomes conhecidos, buscar o maior público possível. Alexandre fez o contrário. A ideia não foi copiar o palco. Foi encolher o formato.

Em janeiro, nasceu o Conexão Pará Negócios. Sessenta empresários, uma mesa, conversa olho no olho. Em vez de uma plateia voltada para uma única pessoa, um grupo voltado para si mesmo. O centro do encontro deixou de ser quem fala e passou a ser quem está sentado ao lado.

A escolha de reduzir a escala é contraintuitiva. Em geral, crescer é sinônimo de ampliar. Aqui, o ganho veio justamente de limitar o número de pessoas para que cada uma pudesse, de fato, conversar com as outras.

O portal que virou ponto de encontro

Na leitura do Dossiê, o portal virou ponto de encontro. O Pará Negócios continua sendo o lugar onde a notícia circula, mas ganhou uma segunda função: reunir as pessoas que essa notícia atrai.

As duas coisas se complementam. A notícia atrai. A mesa conecta. O conteúdo constrói a reputação e a base de leitores e empresas. O encontro transforma parte dessa base em relacionamento concreto. Um sem o outro seria mais fraco: o portal sem a mesa ficaria só na audiência, e a mesa sem o portal não teria de onde chamar as pessoas certas.

A lição

Para quem empreende ou lidera, o case de Alexandre Modesto deixa algumas ideias práticas.

Primeiro, alcance é ativo, não resultado. Ter muitos leitores, seguidores ou clientes cadastrados é valioso, mas o valor real aparece quando você descobre o que essa base precisa e ainda não tem. No caso dos empresários, era conhecer outros empresários.

Segundo, inspiração não é cópia. Ir a um grande evento e voltar querendo replicar tudo é tentador. A decisão mais inteligente foi observar o formato e perguntar o que fazia sentido para o próprio contexto. Às vezes, a melhor adaptação é a que tira coisas, não a que acrescenta.

Terceiro, em mercado local, profundidade ganha de tamanho. Onde as pessoas tendem a se cruzar e a reputação circula rápido, um encontro bem escolhido pode render mais do que um auditório lotado de desconhecidos. O encontro certo vale mais que o palco.

Por fim, o negócio pode mudar de papel sem mudar de essência. O portal não deixou de ser portal. Apenas passou a usar o que já tinha, a confiança e a rede, para oferecer algo novo.

E no seu negócio: você está investindo em aumentar a plateia ou em colocar as pessoas certas na mesma mesa?


Análise: Jonathan Sarraf. Um case por dia no @dossie.cases.

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