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Jurunense: como começar devagar levou a 9 lojas no Pará

Cláudio Batista abriu uma loja de 60 m² no Jurunas aos 18 anos e passou os primeiros anos construindo cultura antes de crescer.
Jurunense: como começar devagar levou a 9 lojas no Pará

Em 2005, Cláudio Batista tinha um funcionário. Em 2023, tinha mais de 560. Entre um número e outro, há uma escolha que contraria o instinto de quase todo empreendedor: ele começou devagar de propósito. Num mercado que costuma premiar quem cresce rápido, por que alguém gastaria os primeiros anos sem acelerar? A resposta só fica clara olhando para o que veio depois.

Sessenta metros quadrados no Jurunas

A primeira loja da Jurunense ficava no Jurunas, bairro de Belém. Tinha 60 metros quadrados. Cláudio tinha 18 anos.

É o tipo de começo que muita gente trataria como trampolim: abrir, vender, juntar caixa e partir logo para a próxima unidade. Não foi o caminho dele. Segundo Cláudio, os primeiros anos foram dedicados a princípios e cultura. Não a crescer.

O tempo que parecia perdido

Visto de fora, aquilo podia parecer perda de tempo. Enquanto o negócio seguia pequeno, a energia ia para algo que não aparece no faturamento do mês: o jeito de trabalhar, os valores da casa, a forma como as pessoas lá dentro deveriam agir.

Cultura não é um item que se compra quando a empresa já está grande. Ela se forma no dia a dia, com poucas pessoas, quando o dono ainda consegue estar perto de cada decisão. Cláudio parece ter entendido que aquela fase pequena era justamente a janela para isso. A conta, como se veria, chegaria depois.

Quando a escala chegou

Em 2010, a Jurunense abriu uma loja de mais de 900 metros quadrados em Canudos. O salto em relação aos 60 metros iniciais já era enorme.

Em 2016, veio o Tapanã, com 6 mil metros quadrados. No ano seguinte, em 2017, a empresa abriu a primeira home center da região metropolitana dentro de um shopping.

Cada passo era maior que o anterior. E cada loja nova trazia a mesma exigência: gente que já soubesse como a casa funciona.

A fase mais arriscada

Em 2021, a empresa cresceu 52%. Crescer nesse ritmo é o momento em que muitos negócios se perdem: processos se rompem, a qualidade cai, o padrão de uma unidade deixa de valer para a outra.

Em 2022, a Jurunense chegou a Castanhal, polo que atende 21 municípios. Era a expansão para além do território original, com todo o risco que isso carrega.

Em 2025, a empresa completou 20 anos com nove unidades.

A expansão não desandou. E o motivo está lá no começo: os anos lentos formaram as pessoas que depois sustentaram cada abertura. Quando era preciso levar o jeito da casa para uma loja nova, havia quem soubesse fazer isso.

A lição

A história da Jurunense resume um princípio simples e difícil de praticar: cultura primeiro, escala depois.

Para quem empreende ou lidera, alguns pontos ficam claros:

  • Crescimento cobra pessoas, não só capital. Abrir uma loja maior exige gente que entenda como o negócio funciona. Isso não se contrata pronto na véspera.
  • A fase pequena é a melhor hora de definir valores. Com poucos funcionários, o fundador ainda consegue moldar o comportamento de perto. Depois, fica muito mais difícil corrigir.
  • Velocidade no início pode virar fragilidade no meio. Um crescimento de 52% em um ano só é suportável se a base estiver firme.
  • Paciência é estratégia, não falta de ambição. Começar devagar não impediu a Jurunense de chegar a nove unidades. Foi o que tornou isso possível.

O mais contraintuitivo do case é que o investimento que mais rendeu foi o que menos aparecia nos primeiros anos.

E no seu negócio: você está construindo a cultura que vai sustentar o crescimento ou torcendo para que ela apareça sozinha quando a escala chegar?


Assista ao case em vídeo no @dossie.cases

Análise: Jonathan Sarraf. Um case por dia no @dossie.cases.

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